Orixá / Vodun
Manifestações culturais, feituras e xirês — o culto à natureza.
Ketu / Jeje · Rio de Janeiro e Bahia
Centro de Cultura e Religião Ioruba
Egbé Ifá & Orishá Agbonniregun Aworeni Odusolá
A confluência de Ifá, Orixá/Vodun, Egungun e Umbanda
Cabo Frio / RJ · desde 1998
Atravesse a históriaA raiz sustenta a árvore. A árvore dá sombra e fruto. Honrar a raiz é honrar a vida.
A casa e o nome
A análise da estrutura religiosa afro-brasileira contemporânea exige um olhar que transcenda a simples catalogação de terreiros. É preciso compreender as complexas redes de linhagem, teologia e território que constituem as comunidades de culto. O Axé Casa Grande é uma instituição religiosa situada em Cabo Frio, Rio de Janeiro — e é, ao mesmo tempo, muito mais do que sua localização física.
Sob a liderança do sacerdote Luiz Roberto Drumond Tinoco — Babá Ifábulujè Aworeni Odusolá —, o Axé Casa Grande estabelece-se como um ponto cultural em uma vasta rede que se estende da Baixada Fluminense ao Recôncavo Baiano, do interior de São Paulo ao Nordeste brasileiro, e de volta às raízes em Ilé Ifé, na Nigéria.
A nomenclatura da instituição carrega chaves hermenêuticas fundamentais. O termo Egbé refere-se a uma "sociedade" ou "comunidade", indicando que a estrutura organizacional privilegia o coletivo e a função social. O epíteto Agbonniregun é um dos títulos mais sagrados atribuídos a Orunmilá, a divindade da sabedoria e do destino — sugerindo que a casa opera sob a égide do conhecimento divinatório.
Mais do que um templo, o Axé Casa Grande é um centro vivo de preservação da memória africana no Brasil. Ele mantém vivas as estruturas políticas, sociais e espirituais da África Ocidental em solo brasileiro, adaptando-as à realidade contemporânea sem perder a conexão com a ortodoxia dos fundadores.
Egbé
Sociedade ou comunidade.
Indica que a estrutura privilegia o coletivo e a função social, em vez de uma hierarquia verticalizada rígida.
Agbonniregun
Um dos títulos mais sagrados de Orunmilá, a divindade da sabedoria e do destino no sistema de Ifá.
Sugere que a casa opera sob a égide do conhecimento divinatório.
Os três sistemas
O Axé Casa Grande é, em essência, um ponto de confluência para três dos mais importantes sistemas religiosos da África Ocidental transplantados para o Brasil: o culto aos Orixás/Vodun (Candomblé Jeje/Nagô), o culto aos ancestrais (Egungun) e o sistema divinatório de Ifá. Esta tríade não é apenas teórica — ela informa toda a agenda de eventos, festas e atendimentos da casa.
Manifestações culturais, feituras e xirês — o culto à natureza.
Ketu / Jeje · Rio de Janeiro e Bahia
Culto aos ancestrais masculinos deificados.
Itaparica, Bahia · Ilé Lessen Iliquiobé
Consultas oraculares, ebós e a orientação do destino.
Ilé Ifé, Nigéria · Agbonniregun

O sacerdote
Luiz Roberto Drumond Tinoco · Jornalista, Pedagogo e Historiador
Iniciado em 11 de agosto de 1982 ao culto de matrizes africanas no Ilé Axé Atawajá, em Campo Grande, Rio de Janeiro, Babá Ifábulujè viveu desde jovem imerso nas tradições dos Orixás e dos Voduns. Seu nome religioso carrega a grandeza que sua trajetória confirma.
O nome que carrega a trajetória
Ifábulujè
Aquele que Ifá honra com coroa.
Aworeni
Sacerdote de Ifá.
Odusolá
O Odù que traz honra e salvação.
Do ponto de vista teológico, Babá Ifábulujè é iniciado para o Vodun Sogbô — divindade do panteão vodum associada ao trovão, ao relâmpago, à chuva e ao fogo. Sogbô é considerado chefe da família Heviossô e guardião da justiça, punindo os malfeitores. Isso posiciona o Axé Casa Grande como um centro de equilíbrio espiritual, focado na claridade mental e na purificação — características essenciais para uma casa que abriga o complexo culto de Ifá e Egungun.
1982
Iniciação no culto
Em 11 de agosto, é iniciado no culto de matrizes africanas no Ilé Axé Atawajá, em Campo Grande/RJ, pelas mãos de Marcos "Diabo Loiro".
1998
Fundação do Axé Casa Grande
Nasce o Egbé Ifá & Orishá Agbonniregun Aworeni Odusolá — Centro de Cultura e Religião Ioruba, em Cabo Frio/RJ.
Após o falecimento do iniciador
Cargo de Bàbákékéré
Recebe de Oyá o cargo de Bàbákékéré (pai pequeno) no Ilé Axé Jeje Dewá, honrando a memória do mestre e continuando sua trajetória na nação Jeje.
Hoje
Centro de preservação civilizatória
A casa abraça com igual reverência as tradições Yorubá, Jeje, Egungun, Ifá e de Umbanda — um centro vivo de preservação da memória africana no Brasil.
Reconhecido e registrado junto a FENACAB · AFA · CCAB.
Todo pai de santo é, antes, filho de alguém. A cadeia do sagrado nunca se inicia em nós — ela nos atravessa.
A raiz de santo
A espinha dorsal de um terreiro é sua sucessão — a Raiz de Santo. Aqui o axé desce de geração em geração, da nascente mais antiga até a foz, em Cabo Frio. Honrar a raiz é honrar a vida.
Garante a legitimidade ritual do Candomblé e a ortodoxia dos fundamentos. Flui desde Tia Menininha e Roque da Porreta até a serenidade de Sogbô em Cabo Frio.
A espinha dorsal do terreiro — sua sucessão apostólica, a "Raiz de Santo". Tem como berço o Ilé Axé Atawajá, em Campo Grande/RJ, conectado aos grandes troncos da Bahia.
Tataravó
Tia Menininha
Arcanja d'Sango — Sobalojú
O elo mais antigo desta linhagem. O título Sobalojú — "o rei vê a face" — confirma sua posição de honra na cadeia ancestral do Candomblé brasileiro.
Bisavô
Roque da Porreta
Dofono d'Azauane
Figura seminal do Candomblé carioca nas primeiras décadas do século XX, com forte adesão aos preceitos da Nação Jeje. Sua menção funciona como um selo de autenticidade, ligando Cabo Frio à era de ouro do Candomblé do Rio de Janeiro.
Avô
Paulo Cesar Cadena da Silva
Sr. Paulo ty Ogun Tanà
Fundador do Ilé Axé Ogun Tanà — Campo Grande/RJ
Um dos pilares da tradição afro-brasileira no Rio de Janeiro. Deixou como legado uma casa dedicada ao Orixá guerreiro Ogun, símbolo de abertura de caminhos.
Pai de santo
Marcos Antônio da Rocha Santos
Diabo Loiro — Dofono ty Osun Karé
Fundador do Ilé Axé Atawajá — Campo Grande/RJ
O sacerdote que abriu as portas do sagrado para Babá Ifábulujè. Sua função, ligada às águas e à doçura transformadora de Oxum, configura o "sangue ritual" que corre na estrutura espiritual do Axé Casa Grande.
A nação Jeje, oriunda do antigo Daomé (atual Benim), é uma das vertentes mais ricas e menos conhecidas do culto afro-brasileiro. Possuir raiz em duas nações distintas não é contradição: é plenitude.
Pai
José Carlos Trindade
Carlos ty Oyá
Fundador do Ilé Axé Jeje Dewá — Dias D'Ávila/BA
Referência na preservação da tradição Jeje Savalú no Brasil. Seu axé imprimiu em Babá Ifábulujè a profundidade da tradição do Vodun, ampliando sua compreensão do sagrado para além de uma única nação.
Garante a profundidade espiritual e o poder sobre a morte e a ancestralidade — os fundamentos mais silenciosos e mais poderosos de qualquer tradição. Nasce na Ilha de Itaparica.
Egungun são os ancestrais masculinos deificados que retornam para aconselhar, abençoar e corrigir. No Brasil, seu epicentro é a Ilha de Itaparica, onde o culto permaneceu restrito a poucas famílias-matrizes. A família Daniel de Paula é, sem exagero, a realeza deste culto. O terreiro Ilé Agboulá, em Ponta de Areia, foi consolidado por volta de 1934 pelos irmãos Pedro, Olegário e Eduardo Daniel de Paula.
Pai
Nivaldo Daniel de Paula
Alabá Babá Mariwo — BUDIJÓ
Alágbá Ojé Olugbajé — chefe supremo dos Ojés
Fundador do Ilé Axé Lessen Egun Babanicos (Iliquiobé) — Itaparica/BA
A honraria máxima no culto de Egungun. A vinculação a BUDIJÓ confere ao Axé Casa Grande a autorização litúrgica (o "Asé") para carregar viva a ancestralidade de todo um legado construído de geração em geração.
Padrinho
Joaquim Daniel de Paula
Ojé Macedum
Um Ojé é o guardião dos Egungun — quem veste, quem cuida e quem protege o segredo maior do culto. Ser padrinhado por um Ojé é ser acolhido nas profundezas da tradição.
A linhagem Daniel de Paula
Serve como a bússola que orienta a navegação de toda a casa. É o oráculo que diz quando parar, quando avançar, quando ofertar e quando silenciar. Enraizado até o Babá Araba Agbaye, em Ilé Ifé.
Ifá é o sistema oracular por excelência da tradição Yorubá — filosofia, medicina, ética e cosmologia. Tradição oral reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A adoção do título Agbonniregun no nome institucional declara explicitamente esta centralidade.
Pai
Marcelo Bothelho
Chief Ifalade Aworeni Odusolá
Chief Oluwo Ifá e Apená Awo Ogboni de Ilé Ifé
Fundador da Egbé Ifá & Iledi Ogboni Odusolá — Sorocaba/SP
Uma das figuras mais relevantes da tradição de Ifá no Brasil contemporâneo. A Sociedade Ogboni (Osugbo) — dedicada ao culto da Terra (Onilé), à justiça e à ordem política — reforça a inserção da casa no "alto clero" da religiosidade afro-brasileira.
Avô
Ifateju Aworeni
Cujo nome significa "Ifá recebe com alegria". Sua memória reforça a continuidade de uma linhagem fiel à fonte.
Bisavô
Adisa Mokonranwale Aworeni
Babá Araba Agbaye
Sumo Sacerdote de Ifá em Ilé Ifé
A mais alta autoridade do sistema oracular Yorubá, descrito como descendente carnal direto de Orunmilá. Uma conexão sagrada que vai da terra brasileira até as origens do mundo Yorubá.
A Umbanda é uma religião genuinamente brasileira, nascida do encontro entre as tradições africanas, o espiritismo kardecista e os cultos indígenas. Mais um fio da tapeçaria espiritual que forma o sacerdote.
Na trajetória de Babá Ifábulujè, a Umbanda revela a riqueza de um sacerdote que abraça sem preconceito as múltiplas expressões do sagrado.
1ª Casa
Sr. Pedro Monteiro ("Pedrinho") — in memoriam
Centro Espírita São Miguel Arcanjo — Imbetiba, Macaé/RJ
Babá Ifábulujè foi batizado na Umbanda pelo Exú Tranca-Rua e pela Pombogira Maria Padilha, através do médium Pedrinho. Seu legado permanece vivo na raiz, através de Tranca-Rua.
2ª Casa
João Sergio de Lima
Banda Silê
Fundador da Casa de Umbanda Cristianizada Xangô Menino — Macaé/RJ
Iniciado Ojuobá e por Obateleuá na nação Ketu, com direitos de cultuar o Angola. Em dezembro de 1994 deu obrigação com o Professor Agenor Miranda Rocha — Babalorixá e Oluwô, filho de Mãe Aninha, fundadora do Ilé Axé Opô Afonjá.
Quatro nascentes, um só leito. Todas as águas desaguam em Cabo Frio, em Babá Ifábulujè Aworeni Odusolá — o ponto onde os rios se encontram sem se confundir.
Os mortos não morrem — eles apenas mudam de forma. E quando um Egungun aparece, é a vida que está presente, vestida de eternidade.
A síntese
A pesquisa sobre o Axé Casa Grande revela uma instituição de complexidade singular: a confluência de dois rios caudalosos e de um oráculo que os orienta.
Flui desde Tia Menininha (Sobalojú) e Roque da Porreta (Dofono d'Azauane), passando pela força de Ogun de Paulo Cadena e pela doçura de Oxum de Marcos "Diabo Loiro", e desaguando na serenidade e justiça de Sogbô, com Babá Ifábulujè, em Cabo Frio. Esta linha garante a legitimidade ritual do Candomblé e a ortodoxia dos fundamentos.
Nasce na Ilha de Itaparica com a família Daniel de Paula e o terreiro Ilé Babá Iliquiobé, chegando ao Axé Casa Grande através da autoridade máxima de Nivaldo Daniel de Paula (BUDIJÓ), Alágbá do culto de Egungun. Esta linha garante a profundidade espiritual e o poder sobre a morte e a ancestralidade.
Enraizado até o Babá Araba Agbaye, em Ilé Ifé, e transmitido através de Chief Ifalade Aworeni Odusolá, em Sorocaba, serve como a bússola que orienta a navegação de toda a casa. É o oráculo que diz quando parar, quando avançar, quando ofertar e quando silenciar.
O Axé Casa Grande não existe como uma ilha. Uma das marcas mais significativas de sua liderança é a capacidade de estabelecer alianças estratégicas e relações de reconhecimento mútuo com outras casas e tradições, sem jamais comprometer a integridade de sua própria raiz.
Embora sejam de nações diferentes (Ketu e Jeje), estas casas formam uma aliança para fortalecimento mútuo, troca de saberes e apoio em eventos rituais. Esta rede de solidariedade — onde sacerdotes se reconhecem, validam suas origens e cooperam — é o que garante a legitimidade pública de um terreiro no cenário religioso afro-brasileiro contemporâneo. O Axé Casa Grande é, nesse sentido, não apenas uma casa: é um nó em uma teia sagrada que se estende do Rio de Janeiro à Bahia, de São Paulo ao Nordeste, e de volta às raízes em Ilé Ifé.
Da Bahia ao Rio de Janeiro, de Itaparica a Sorocaba, de Campo Grande a Macaé, de Dias D'Ávila a Ilé Ifé — a raiz do Axé Casa Grande atravessa o Brasil e chega à Nigéria. Ela fala Yorubá e Fon. Ela dança para Ogun e para o Vodun. Ela respeita os mortos e honra os vivos. Ela tem o rigor de Ifá e a ternura da Umbanda. Babá Ifábulujè não é apenas um sacerdote: é o cruzamento sagrado de múltiplas tradições, o ponto onde vários rios se encontram sem se confundir.
O Axé Casa Grande não é apenas um local de culto — é um Centro de Preservação Civilizatória. Ele mantém vivas as estruturas políticas, sociais e espirituais da África Ocidental em solo brasileiro, sem perder a conexão com a ortodoxia dos fundadores.
O ano sagrado
As celebrações se repetem a cada volta do ano, marcando o tempo da casa. Os domingos exatos podem variar conforme o calendário lunar — confirme sempre pelo WhatsApp antes de comparecer.
Janeiro · 1º domingo
Abertura do ano com saudação ao guardião dos caminhos.
Janeiro · 4º domingo
Ritual de purificação dedicado ao pai da criação.
Maio · 4º domingo
Reverência aos ancestrais cultuados em casa própria.
Junho · 4º domingo
Festa do patrono Vodun da casa, senhor do trovão.
Agosto · 4º domingo
Banquete sagrado em honra a Obaluaiyê, o senhor da cura.
Dezembro · 1º domingo
Celebração das Orixás femininas — Iemanjá, Oxum, Oyá, Obá, Nanã e Yewá.
Vozes
“Adorei o local, com pessoas muito atenciosas e com grandes realizações ali. Muito axé.”
“Uma casa que preza pela cultura afro-brasileira, mantendo na íntegra suas matrizes africanas vivas.”
“Oi, boa tarde, eu gostei muito 😍”
Visite a casa
Estamos em Cabo Frio/RJ. Antes de visitar, fale conosco pelo WhatsApp — algumas datas são reservadas e o acesso aos recintos mais sagrados requer combinação prévia, por respeito à tradição.
Rua Casa Grande, nº 04
Centro Hípico · Cabo Frio/RJ · CEP 28925-324
Entrada também pela Rua da Macumba, nº 02
ASÉ O! Que o Axé continue. Que a raiz sustente. Que os ancestrais abençoem.